quarta-feira, 27 de junho de 2012

Minha Ancestralidade


Minha ancestralidade negra
vai além dos cabelos carapinhados,
do negrume da pele,
dos traços marcantes.


Não sei se é sonho, lembranças ou imaginação
mas sinto o frio, o odor, a dor, o medo
do porão


Minha ancestralidade
vem nos toques dos tambores,
na dança de passos fortes,
nas lutas que ajudaram na libertação

Minha ancestralidade
vem das comidas carregadas no dendê
nas vestimentas de cores fortes e alegres
no sorriso que independe da situação.

Minha ancestralidade negra
é herança de mãe África
trazida pelos negros que nesta pátria
foram escravizados.


Não sei se é sonho, lembranças ou imaginação
mas sinto o frio, o odor, a dor, o medo
do porão


Minha ancestralidade
vem no tilintar dos ouros de mamãe Òsún
dona de meu Ori
quando bato cabeça no meu barracão
quando peço as bençãos e a proteção
dos Orixás
quando danço o xirê no toque de Candomblé
quando ponho minhas indumentárias
e vejo o preconceito escorrer no canto da boca.


Não sei se é sonho, lembranças ou imaginação
mas sinto o frio, o odor, a dor, o medo
do porão


Minha ancestralidade existe
Pois sofro preconceito de cor
mesmo não sendo negra de cor encarnada
e revelo-a no brigar, no sofrer
na dor da alma sem explicação
nos sonhos turbulentos nas noites frias

Não sei se é sonho, lembranças ou imaginação
mas sinto o frio, o odor, a dor, o medo
do porão

Minha ancestralidade
se revela a cada respirar
e existe no sangue e na alma
desde que só era feto
no útero de minha mãe.

Minha ancestralidade
vem do amor pelo tambor
e por ele fui chamado
primeiro na capoeira
depois por todos os lados


Não sei se é sonho, lembranças ou imaginação
mas sinto o frio, o odor, a dor, o medo
do porão

Mas, sinto alegrias
sinto um afagar de coração
Pois, sei que este frio, odor, dor e medo do porão
revelou quem sou de verdade
e o que carrego na alma
essas sensações
revelou minha ancestralidade.

Pollyana Almië

segunda-feira, 19 de março de 2012

Estréia das Yabás

Lindo, Lindo, Lindo!
Não tenho palavras para descrever a emoção que foi a noite de 17/03 na Casa de Cultura do Itaim Paulista.
As Yabás foram muito bem recebidas pelo Sarau o Que Dizem os Umbigos e agradeço a Samara Oliveira e Daniel Marques pelo espaço aberto para nós e pela empolgação com o qual nos receberam.
Público lindo dançando e cantando, maravilha!

Obrigada!
Axé

terça-feira, 6 de março de 2012

Banda nova chegando no pedaço!

Não sou cantora, mas, surge sempre uma vontade de cantar tantas coisas por ai.

Dessa vontade não só minha, mas, das minhas amigas queridas Gloria Kauana e Iramara que resolvemos montar uma banda. Misturar ritmos, histórias, vontades e visões de mundo para montar repertórios.

De MPB á cantos dos Orixás estaremos levando nosso desejo de cantar a quem quiser ouvir.

Nossa Estréia será no Sarau o que dizem os Umbigos organizado pelos nossos queridos amigos Samara Oliveira e Daniel Marques no dia 17/03 á partir das 18h na Casa de Cultura do Itaim Paulista.


Esperamos todos que gostam de um bom entretenimento!

Senhora dos Raios

Relampeia,
Relampeou,
Que a senhora dos Raios chegou.

Mulher guerreira, faceira, tinhosa
Enfrenta perigos
e continua formosa

Relampeia,
Relampeou,
A senhora do raio chegou.

Balançando sua saia
Seduz e encanta,
Sorriso de criança
Num corpo de mulher.


Relampeia,
Relampeou,
A senhora do raio chegou.

Epaheeeeeeeey!

Pollyana Almië

Rosa dos Ventos

Caminho sem direção
Olhando as rosas no caminho
Caminhando em passos longos
no compasso do coração.

Rosa dos ventos
Me guia neste caminho
em busca de fé
amor e carinho.

Caminhos de pedras
de flores
de rosas

Rosa dos ventos
me guia neste caminho
em busca de fé
amor e carinho.

Tempestades
Vendavais a me empurrar
Para longe daquilo que quero alcançar

Caminhos de pedras
de flores
de rosas

Rosa dos ventos
me guia neste caminho
em busca de fé
amor e carinho.

Rosa.

Pollyana Almië

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Inspiração

Minha inspiração,
está no ar, no mar
está em tudo que existe no mundo.

Está no tom, no som
naquilo que toca lá no fundo.

Está na dor, no amor
que sinto num sentir profundo,
Está no sorriso, na lágrima, na saliva e no suor.

Está em você
Em mim
Transformados em um só

Tudo no mundo, tudo na vida
Tudo em você é minha inspiração
para viver!

Pollyana Almië

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Padrões que não me interessa

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Ser humano é ser ousado. Todos os avanços da humanidade surgiram de uma ousadia, do impensado, da “maluquice” de alguém que não aceitou não ser possível e fez mesmo assim. Não importando-se com rótulos, sucesso ou reconhecimento. Só queria fazer o que sentiu vontade.
Mas a sociedade baseada na exploração de uma classe sobre outra e essa apoiada na exploração de uma raça sobre as demais e de um gênero sobre outro, precisa enquadrar as pessoas e reprimir ousadias. A liberdade é perigosa. Pensar é ameaçador a esse sistema.
Normatizar a sexualidade feminina faz parte da engrenagem que alimenta esse sistema. No mito da criação humana a mulher Eva é a causadora de todos os males da humanidade (naquele momento) e isso se perpetuou no imaginário do mundo ocidental judaico-cristão. Mas todos esquecem que antes de Eva, teve Lilith, a biscate que foi descartada. Ela ousava questionar o poder do deus-todo-poderoso do universo. Lilith não foi só descartada, foi apagada da história. O primeiro caso de desaparecimento forçado é de uma mulher.
Mais do que ousar questionar o poder instituído, é perigoso ousar ser diferente. Como assim ela não tem o corpicho da Gisele Bündchen e ousa esfregar seus quilos a mais na nossa cara? Biscate! Como assim ela não é a Dilma Rousseff e ousa viver sozinha, sem homem? Biscate! Fazer barraco em público? Um namorado novo a cada semana? Transar no primeiro encontro? Tomar a iniciativa e assediar o pobre rapaz? Tudo biscate!
Não gosta dos meus quilos a mais? Problema seu. Não gosta da minha independência, ousadia e das minhas risadas? Ô, coitados. Ficarão eternamente reféns do padrão e do gosto decidido por outro. A roupa que visto, a música que ouço, o jeito que namoro, os lugares onde vou e com quem me relaciono, decido eu.
Até aqui temos exaltado esse nosso jeito biscate de ser. Porque ser biscate é ser livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Mas não esquecemos o peso dessa atitude, apenas o assumimos com coragem e com alegria. Sim, porque biscate samba na cara dessa sociedade hipócrita e moralista sorrindo.
Sorrindo, não. Gargalhando. Porque biscate gargalha, e alto. Siga nossas risadas.
A Expulsão do Paraíso, de Michelângelo feita entre 1508 e 1512, no teto da Capela Sistina